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TEMPORAIS E INTENSO CICLONE EXTRATROPICAL COM RAJADAS DE 110 KM/H? MATÉRIA COMPLETA

A quarta-feira (16) começou com o Sol predominando em algumas localidades da região Sul do Brasil, em contra partida, entre o Paraguai e a Argentina, um Cavado (área alongada de baixa pressão), criou um ambiente instável para a formação de núcleos de desenvolvimento vertical, conhecido também como nuvens Cumulonimbus (Cb), entre o final da tarde e início da noite de ontem (15).


O caçador de tempestades Maycon Zanata, morador do município de Dourados, no Mato Grosso do Sul, registrou algumas Sprites das descargas elétricas provocadas por uma das tempestades que ocorriam no Paraguai na noite de ontem (15).

Foto: Maycon Zanata - Caçador de Tempestades

De forma resumida, os "Sprites" são eventos luminosos transientes, que ocorrem durante uma tempestade. Eles são produzidos por campos elétricos quase-eletrostáticos gerados por relâmpagos que vão da nuvem para o solo. Os sprites formam-se acima das nuvens de tempestade, se estendem de 45 a 90 quilômetros de altitude e têm coloração laranja avermelhada. A duração do fenômeno é de aproximadamente 17 milissegundos, ocorre alguns milissegundos após a ocorrência do relâmpago gerador (os raios típicos se formam na base) e tem carga positiva (os raios normais têm carga negativa). Partindo da nuvem, uma corrente positiva se dirige às cargas negativas que se acumulam no solo. Quando as encontra, o circuito se fecha e o raio aparece. Também podem ocorrer nas nuvens mais altas de Netuno.

As células de tempestades faladas anteriormente devem avançar sobre a região Sul do Brasil ao longo desta quarta-feira (16), em especial o Paraná, onde a formação de núcleos intensos não são descartados. Alguns municípios podem presenciar o deslocamento de uma nuvem prateleira (em inglês, Shelf Cloud) acompanhada de intensas rajadas de vento nas próximas 12 horas e queda de granizo. Na vanguarda desses intensos núcleos, outras células de tempestades vão se formar muito rapidamente trazendo temporais isolados sobre o Planalto Sul, Litoral Sul, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis, Litoral Norte e Planalto Norte de Santa Catarina, e Nordeste, Alto da Serra do Botucaraí, Vale do Taquari, Serra, Campos de Cima da Serra, Vale do Rio Pardo, Centro-Sul, região metropolitana de Porto Alegre, Vale do Rio dos Sinos e Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

Com base na variável WRF inicializado com o modelo GFS, é possível observar o deslocamento dessas áreas de instabilidades ao longo desta quarta-feira (16). Nota-se que os núcleos que vão se formar na vanguarda das células de tempestades que avançam sobre o Paraná ficam estacionadas por algumas horas sobre o Centro-Leste de Santa Catarina. De certa forma isso requer uma atenção especial, pois o solo se encontra saturado e os rios estão em níveis de atenção. Nas últimas 72 horas, choveu aproximadamente 130 milímetros no Planalto Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis. Em São João Batista-SC, por exemplo, choveu 77 milímetros em apenas 10 horas, causando o transbordamento de um rio na região e bloqueando algumas ruas. Em Brusque-SC, o rio Itajaí-Mirim, o principal do município, podia chegar aos 6 metros na noite de ontem (15), algo que não aconteceu felizmente, porém houve relatos e registros de alagamentos na região.


Falar na possibilidade de enchente no Vale do Itajaí é algo complexo e de uma enorme responsabilidade, mas diante das condições meteorológicas projetadas pelos modelos, levando em consideração o solo extremamente encharcado, dependendo de como irá cair essa chuva (em um curto espaço de tempo ou durante o dia todo) e a previsão de maré alta, as chances de transbordamento de rios, deslizamentos de encostas, alagamentos, aquaplanagem, entre outros efeitos adversos não é descartado, porém os rios estão baixando rapidamente nas últimas horas, diminuindo drasticamente as chances de inundações ou enchentes, mesmo assim é extremamente importante ficar acompanhando as novas atualizações. Não estamos aqui dizendo que irá acontecer, mas todo o acompanhamento que será realizado no decorrer das próximas horas é de extrema importância e delicadeza, pois os avisos devem ser emitidos, sejam eles em forma de atenção ou urgência.


Abaixo temos 3 imagens de precipitação acumulativa dentro de 24 horas, 48 horas e 72 horas com base na variável WRF, inicializado pelo modelo GFS.


CICLONE EXTRATROPICAL?

Um ciclone extratropical deve se formar no próximo sábado (19) na altura do Rio da Prata, entre o Uruguai e a Argentina, formando diversas áreas de instabilidades sobre ambos os países. Sobre o Sul do Brasil, uma frente fria deve avançar durante o final de semana, onde não é descartado chuva forte, raios, ventania e queda de granizo, como geralmente ocorre com o avanço de um sistema frontal de moderada a forte intensidade. O destaque desse sistema, ou seja, o ciclone extratropical, são as rajadas projetadas. O modelo CMC projeta rajadas de até 104 km/h sobre faixa leste do Rio Grande do Sul, começando na tarde de sexta-feira (18) se prolongando até a noite de sábado (19). Mas atenção! Alguns pontos do Estado gaúcho podem ter rajadas de vento intensas, causando destelhamentos, queda de árvores e possíveis danos econômicos (vidros quebrados, carros danificados, e etc).


ATENÇÃO

Essas projeções podem mudar e muito nas próximas horas. Uma nova atualização será feita na manhã de quinta-feira (17). Aguarde!

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