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Telescópio Espacial Hubble registra fragmentação do cometa C/2019 Y4 (Atlas)

Cometas por si só são corpos extremamente interessantes de se estudar e atrai a atenção até mesmo das pessoas que não estão envolvidas no meio científico. Um dos registros mais antigos de eventos astronômicos registrados, a aparição de cometas era fortemente ligada às divindades.

C/2019 Y4 ATLAS 18 de Março de 2020. Imagem de Hisayoshi Kato (flickr.com/people/hiroc/)

Em 28 de dezembro de 2019, usando o sistema de telescópio automatizado terrestre ATLAS (Sistema de Alerta Terrestre de Asteroide de Último Impacto), o cometa de longo período denominado C/2019 Y4 (ATLAS) foi descoberto. Seu período orbital foi determinado em 5476 anos (isso mesmo, 5476 anos para dar uma volta ao redor do Sol). Na ocasião da descoberta, seu periélio (máxima aproximação do Sol) foi calculado para o dia 31 de Maio de 2020 passando dentro da órbita de Mercúrio, com sua máxima aproximação da Terra no dia 23 de Maio de 2020 (apenas 75% da distância entre a Terra e o Sol). Passando tão próximo do Sol e da Terra, esperava-se que esse objeto tivesse um enorme brilho durante a sua observação, podendo até mesmo ser visto sem o uso de telescópios ou binóculos. Porém, como tudo no Universo é uma surpresa, as coisas não estão sendo bem assim. Acontece que o cometa está se despedaçando!

Imagem obtida com o telescópio de 40cm do Observatório Las Cumbres,

em Haleakala (Hawaii).

Os primeiros indícios apareceram no dia 01 de Abril de 2020, quando o cometa começou a perder coma (condensação), como mostra a imagem obtida no Observatório de Las Cumbres, indicando a desintegração do núcleo do cometa. Durante os dias subsequentes, vários astrônomos (amadores e profissionais) registraram a desintegração gradual do cometa. Mas, em 20 de abril de 2020, o Telescópio Espacial Hubble recebeu a imagem mais detalhada até então do cometa C / 2019 Y4 (ATLAS) e seus fragmentos.

Na imagem, vemos o dois fragmentos principais "A" e "B" e outros dois aglomerados de detritos menores, indicados por "B" e "C", viajando em sua trajetória comum.

O motivo pelo qual um cometa se desintegra está intrinsecamente relacionado à sua natureza. Ao se aproximar do Sol, o gelo presente em seu núcleo acaba sublimando, se transformando diretamente de sólido para gasoso. Nesse processo, os gases acabam escapando até a superfície do cometa e leva consigo grandes quantidades de silicato e outros materiais do qual o cometa pode ser formado. Considerando que esses corpos são relativamente pequenos, e portanto sua força gravitacional é fraca, a pressão dos gases em seu interior acaba vencendo a força de coesão (gravitacional) e o cometa se desintegra. Há casos em que cometas podem se fragmentar ao se aproximar dos planetas gigantes, como aconteceu recentemente com o cometa Shoemaker–Levy 9 ao se aproximar de Júpiter. Aqui, o cometa acaba se aproximando além da órbita crítica do planeta gigante e as forças de maré acabam por destruir o cometa antes do impacto. Texto: Chrystian Pereira

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