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  • Bianca Leroiz

O QUE FAZEM OS CICLONES ESTACIONAREM E PORQUE É TÃO DIFÍCIL DE PREVER

Várias coisas podem ocorrer quando ciclones estacionam. Mesmo que estejamos aqui no Brasil mais familiarizados com frentes frias estacionárias, podemos com base nisso ter uma percepção dos problemas que ocorrem quando estes fenômenos perduram um período mais longo.


O QUE ACONTECE QUANDO CICLONES ESTACIONAM?

Quando frentes frias estacionam, que é quando sua velocidade de deslocamento é baixo, temos um acúmulo de chuva maior por um período prolongado. Isso leva a problemas como aumento dos níveis de rios podendo gerar inundações e erosões, os famosos e problemáticos deslizamentos de terra.

Porém, em ciclones, o volume de chuva é bem maior, portanto estes efeitos são muito mais acentuados. Além disso, em ciclones os sistemas convectivos, isto é, as tempestades que se desenvolvem, são mais severos e provocam ventos bem fortes a depender da intensidade do sistema, o que torna o efeito estacionário um problema com consequências também severas.


Durante o Furacão Harvey, que estacionou sobre Houston por 4 dias em 2017, provocou em algumas regiões um acúmulo de inacreditáveis 1500 milímetros somente nestes 4 dias. São incríveis mais de 1,5 metros de chuva acumulada. Isso é mais que a média anual de chuva em vários estados brasileiros e equivalente a mais de 65% do que chove durante o ano inteiro em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


Pesquisa mostra que ciclones tropicais estacionários se tornaram mais comuns no Atlântico Norte desde metade do século 20, e a velocidade média dos ciclones em geral também diminuíram. Mas por que isso acontece?


Ciclones são direcionados pelos ventos ao seu redor. Chamamos isso de fluxo atmosférico. Se estes ventos são rápidos, eles farão a tempestade se mover mais rápido. Você pode imaginar esse sistema como uma folha que flutua num riacho. Se o fluxo do riacho for rápido, a folha se moverá mais rapidamente. Se o fluxo for lento, a folha se moverá mais lentamente. Quando o fluxo muda de curso, a folha também mudará.


Como o fluxo atmosférico age em determinado local durante o dia é bastante variável. A rapidez com que uma dada tempestade se moverá depende de fatores como se um sistema de alta pressão está próxima ou se há baixa pressão onde o ar flui no sentido anti-horário. E as correntes de ar podem enfraquecer se uma tempestade for pega entre diferentes tipos de fluxo.


O AQUECIMENTO GLOBAL

O aquecimento global parece ser uma das causas do aumento de incidência de ciclones estacionários. Isso porque os círculos polares estão se aquecendo duas vezes mais rápido que as latitudes médias, onde boa parte dos ciclones se formam. Essa redução da variação de temperatura entre os trópicos polares e médios podem afetar as correntes que dão a dinâmica de movimento destes sistemas.

Em média, a velocidade dos ciclones vêm diminuindo e simulações de comportamento das tempestades tropicais sugerem que a média continuará a abaixar a medida que a temperatura média global aumenta, principalmente nas latitudes médias


Uma atmosfera mais quente também significa que as tempestades podem acumular mais umidade. Conforme a temperatura aumenta, é mais fácil para a água evaporar. Em ciclones, o vapor de água se resfria e todo o vapor se torna líquido novamente e fica suspenso em partículas nas nuvens, o que significa que energia foi liberada, e essa energia que alimenta a tempestade.


Se a tempestade diminui sua velocidade, ela tem acesso a mais umidade e produz mais chuva e produz uma tempestade ainda maior devido a seu movimento lento.


POR QUE É TÃO DIFÍCIL DE PREVER QUE UM SISTEMA SE MOVERÁ MAIS DEVAGAR?


Para prever uma tempestade, nós olhamos o que chamamos de orientação dinâmica - modelos de computador que simulam a atmosfera faz uma previsão baseados nos nossos conhecimentos físicos. Modelos climáticos aplicam variáveis como o vento atual, temperatura e pressão, e o computado utiliza esse ponto inicial para simular como o tempo poderá se comportar em horas ou dias para frente.


Mas o clima e a atmosfera são os chamados sistemas caóticos. Significa que nós não temos todas as lacunas de conhecimento completas, portanto os modelos atmosféricos de previsão não são perfeitos. Cada modelo de computador também é um pouco diferente. Eles são todos baseados nas leis da física, mas as presunções que eles realizam e como eles interpretam os dados também variam de modelo para modelo.


Quando uma tempestade está se movendo lentamente, o que pode ser uma diferença pequena no modelo atmosférico inicial, pode resultar em diferenças grandes sobre os próximos dias. Na filosofia e na física, abordamos isso como "efeito borboleta", porque seria como se uma batida de borboleta no Japão, pudesse produzir um furacão na costa brasileira. Por que? Quando as correntes que direcionam os sistemas estão fracos, como 8 km/h, uma diferença de velocidade de 3 km/h no fluxo de vento inicial, pode provocar um impacto maior do que quando o fluxo está mais forte, então é muito fácil para os modelos produzirem previsões que acabam sendo totalmente diferentes do que realmente acontecerá.



Fonte: The Conversation

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