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O MAIOR FRIO DO SÉCULO? SERÁ MESMO?

O frio veio para ficar? Caso confirme, teremos a terceira e mais forte massa de ar polar avançando sobre o Sul do Brasil no decorrer da próxima semana. E você, já está ensaiando a música Lerigou? Será que teremos música no Fantástico? Até aqui brincamos um pouco, mas o assunto é sério!


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As projeções mais animadoras (para quem ama frio) segue com mínimas baixíssimas sobre diversos pontos da região Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, despencando também em regiões mais ao norte onde o calor é destaque. A mínima pode variar entre -9°C e -12°C nos pontos mais altos do Sul do Brasil, incluindo o Parque Nacional do Itatiaia, que fica localizado entre os Estados de Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Sobre o litoral do RS, SC, PR e Sul de SP, a mínima pode chegar próximo dos 0°C. Em Florianópolis/SC, a menor temperatura foi de -1°C em 1975 e desta vez poderá bater esta marca novamente.


A poderosa massa de ar polar da próxima semana pode chegar próxima de ondas polares que ocorreram em 1955, 1975, 1984, 1994, 2000, 2007, 2013, 2019 e as últimas duas massas polares que ocorreram nas últimas semanas.


Abaixo temos as temperaturas mínimas esperadas para os dias 29, 30 e 31 de Julho entre o RS, SC, PR, SP e sul de MG.

A massa de ar polar deve chegar no Sul do Brasil após o avanço de uma nova frente fria que poderá provocar temporais isolados, não se descartando queda de granizo e ventania entre segunda e a madrugada de terça-feira (26 e 27 de julho).


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Curiosidade: Essa massa de ar polar deverá avançar sobre o Sul do Brasil exatamente na mesma data que ocorreu um frio histórico e recorde no Brasil no ano de 1955 (história completa logo abaixo), tendo a ocorrência de neve em várias localidades, como foi o caso do município de Joaçaba - SC.


Com base nas mínimas previstas para os dias 29, 30 e 31 de julho de 2021, onde poderá registrar até -2ºC em Curitiba e região, por exemplo, isso reacende a necessidade de políticas públicas que ajudem os moradores em situação de rua a lidar com as baixíssimas temperaturas. Em muitos municípios, Serviços de Assistência Social Municipal e cidadãos voluntários não ligados às organizações tomam frente para auxiliar os moradores de rua com doações e abrigos. Apenas na noite de 30 de Junho de 2020, sete pessoas em situação de rua morreram em São Paulo em decorrência das baixas temperaturas. As causas da morte não necessariamente foram hipotermia, mas sim em decorrência de outras doenças que podem levar à morte quando expostos a baixas temperaturas, como parada-cardíaca e pneumonia - principalmente agora com as doenças desencadeadas pela contaminação com o Coronavírus.


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Não menos importante, precisamos também pensar nos animais que foram abandonados nas ruas e que também sofrem com o frio. Com a crise causada pela pandemia, muitas famílias precisaram se mudar ou não tiveram condições financeiras para continuar os cuidados com seu animal de estimação, deixando os mesmos abandonados nas ruas.


Dica: Abra seu guarda-roupa, separe as roupas que não usa mais e faça sua doação. Se reúna com outras pessoas e faça o bem.

Além do frio histórico com possibilidade de geada negra em grande parte da região Sul do Brasil, tendo mínima de até -10ºC no Planalto Norte, algo que não acontece desde os anos 60, a preocupação maior é a agricultura que deverá sofrer bastante com essa onda polar da próxima semana e o consumidor final pagando mais caro, tendo como exemplo o café. Outro detalhe não menos importante, é o congelamento de encanamentos de forma generalizada devido as várias horas de frio intenso e máximas muito baixas.


Se você tem menos de 60 anos, essa pode ser sua primeira vez registrando um dos frios mais intensos do século 21!


Geada de forma generalizada sobre o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil entre os dias 29, 30 e 31 de julho.


E a neve? Diante da dificuldade em prever a neve no Sul do Brasil e a quantidade de dias que ainda têm pela frente, não é possível bater o martelo neste sábado (24) sobre as regiões com maior chance de neve entre quinta e sexta-feira (29 e 30 de junho). Entretanto, se fosse levado em consideração as rodadas atuais e o evento fosse na próxima segunda-feira, o Sul do PR; Meio Oeste, Planalto Norte e Planalto Sul de SC, e a Serra Gaúcha seriam as regiões com maior chance de precipitação invernal.

Chance de neve nas áreas em cinza no Sul do Brasil.

O frio histórico que seus avós presenciaram quando eram crianças, pode trazer alguns transtornos bastante peculiares. Vamos pontuar:


Geada negra: A seiva das plantas vai congelar por dentro, causando um enorme estrago na agricultura e prejuízo pro seu bolso na hora de comprar alimentos. Principalmente na entrada do ar polar, onde o vento e o ar extremamente seco vão atuar.


Sensação térmica: o vento também vai ajudar a roubar calor do corpo, o que somado as temperaturas muito baixas, causará uma sensação maior de frio. Não se descarta sensação térmica beirando -30°C nas partes altas.



Congelamento de encanamentos: o frio intenso não vai se limitar as manhãs, mas sim ao dia inteiro. Ou seja, mínimas negativas e máximas próximas a zero grau. Isso vai fazer com que os encanamentos permaneçam congelados por muito tempo, causando falta de água quase que generalizada.


Congelamento de pista: Rodovias das áreas serranas podem ter pista congelada, durando mais que o normal justamente devido ao mesmo motivo dos encanamentos. Por isso se atente a interrupção de tráfego. Muita gente pensa em subir a serra, inclusive as reservas de pousadas já estão quase em 100%. O recomendado é não subir a serra catarinense ou gaúcha para registrar a neve, evitando congestionamentos e um trabalho maior para a Polícia Rodoviária Federal que administra as rodovias. É importante destacar também o risco de subir pela Serra do Corvo Branco após os vídeos que circularam nas últimas semanas de veículos patinando por causa da pista congelada.


Obs: A Serra do Rio do Rastro estará aberta até o dia 26/07, às 07h.

ONDA DE FRIO EM 1955 - VAMOS CONHECER?


Em 27 de julho de 1955 - há 66 anos atrás - uma poderosa onda polar atingiu o Brasil, sendo marcante em pelo menos 5 aspectos, sendo considerada uma onda polar histórica, mas que pode ser batida na próxima semana.

  1. Com base em dados meteorológicos disponíveis sobre o evento mostra que a onda de frio literalmente derrubou as temperaturas em mais de 60% do território nacional, ou seja, MAIS DE 5 MILHÕES DE QUILÔMETROS QUADRADOS FORAM AFETADOS POR ELA. E mais: embora não tenha sido possível obter as cartas sinóticas da ocasião, os dados indicam que a frente fria ULTRAPASSOU A LINHA DO EQUADOR.

  2. O segundo aspecto, a extensão territorial afetada pelas geadas, também mostra quão excepcional foi a onda de frio. Estima-se que o fenômeno tenha ocorrido em até 90% da área total da Região Sul; chegou a gear na maior parte do litoral gaúcho - para não dizer todo - e também em boa parte do litoral catarinense e em algumas regiões do litoral paranaense.

  3. O que se refere à extensão, intensidade e duração das nevadas, pode-se dizer que este foi bem anormal, ou pelo menos, bastante raro. Nevou nos três estados sulinos em grande quantidade, acumulando no solo até 70 cm de neve na serra catarinense, segundo alguns dados indicam. Além disso, no alto da Serra Gaúcha, o fenômeno ocorreu durante 4 dias consecutivos, sendo a nevada mais duradoura já registrada na região até hoje.

  4. A questão das TEMPERATURAS MÁXIMAS foi singular nesta onda de frio. Foram registradas máximas muito baixas em toda a Região Sul e parte do Sudeste; principalmente no auge do evento. Pode-se citar como exemplo o caso de São Joaquim - SC, que registrou máximas abaixo de 0ºC durante 3 dias seguidos.

  5. O quinto e último aspecto refere-se às temperaturas mínimas, que também foram excepcionalmente baixas no dia mais frio. Inclusive, a onda de 55 cravou o recorde histórico de frio do Rio Grande do Sul e a cidade de São Paulo, além de ter feito tiritar centenas de cidades brasileiras.

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E além destes 5 aspectos, há ainda um fato muito relevante: quando se analisa o fator ABRANGÊNCIA ESPACIAL, em conjunto com o fator INTENSIDADE DA QUEDA DE TEMPERATURA, nota-se que NENHUMA OUTRA ONDA DE FRIO NOS REGISTROS CONSEGUIU DERRUBAR COM TANTA FORÇA A TEMPERATURA NUMA ÁREA TÃO GRANDE, AO MESMO TEMPO. Por exemplo: Em Julho de 1918, registrou-se a onda de frio mais intensa do século XX no Sul do Brasil, mas na mesma ocasião o Centro-Oeste não sofreu temperaturas tão baixas; em Cuiabá a mínima foi de 9,9ºC. Em outra onda, no mês de junho de 1925, as temperaturas caíram muito no Sudeste, Centro-Oeste e na maior parte da Região Sul, porém a mínima absoluta no Rio Grande do Sul e no litoral catarinense não foi tão baixa.


Já no caso da onda polar de 55 , a história foi outra: foram registradas temperaturas excepcionalmente baixas em todo o Centro-Sul e parte da Amazônia, de maneira simultânea; até mesmo na faixa litorânea do Sul e do Sudeste.


E após uma comparação cuidadosa com os registros de outras grandes ondas polares que também marcaram época no país, pode-se afirmar com segurança que AO SE CONSIDERAR O TERRITÓRIO BRASILEIRO COMO UM TODO, A ONDA POLAR DE 1955 FOI A MAIS FORTE E POR ISSO A MAIS IMPORTANTE JÁ REGISTRADA OFICIALMENTE NO BRASIL.


Tais fatos demonstram a razão pela qual a onda de frio de 1955 merece o título de super.


COMO TUDO ACONTECEU?

No dia 26 de julho de 1955, entre o sul do Chile e o sudoeste da Argentina, configurava-se uma invasão polar de trajetória continental, ao mesmo tempo que grande parte do Brasil encontrava-se sob um forte veranico.


No dia 27 de julho de 1955, a massa de ar polar de grande intensidade que estava no sul do continente avançava para o norte e chegou ao Rio Grande do Sul. Durante o dia a temperatura despencou no Estado e os registros do INMET revelam que NEVA a partir da tarde em Bom Jesus-RS. Enquanto isso, o Estado de São Paulo vive o começo da situação pré-frontal (área aquecida com chance de temporais), com bastante vento.


No dia 28 de julho de 1955, a massa polar, apesar da grande intensidade, enfrenta muita resistência e por isso avança lentamente pelo Brasil. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina faz muito frio, além de nevar. Em Bom Jesus-RS, neva forte durante a tarde e a noite. No Paraná, a temperatura só cai mesmo a partir do meio da tarde e no Estado de São Paulo a pré-frontal continua com força. No interior, a massa polar avança em direção à Amazônia. Na Argentina, a massa de ar irrompe com força total para o Brasil.


No dia 29 de julho de 1955, o bloqueio perde força, mas o ar polar ainda avança devagar através do Brasil. No Centro-Oeste, a onda de frio chega a Cuiabá e tem início uma forte friagem. Em São Paulo, o tempo muda à tarde com a chegada da frente fria e as temperaturas despencam. Neva muito nas Serras Gaúchas e Catarinense. Em Bom Jesus-RS, consta nos registros intensa queda de neve durante as 24 horas do dia. Em São Joaquim-SC, além da nevasca, a temperatura máxima foi negativa, tendo ficado na casa dos -1ºC. Em Joaçaba-SC, no interior catarinense, nevou a tal ponto que houve interrupção do tráfego de algumas ruas; a precipitação também durou o dia inteiro. E até o fim do dia, a neve chegaria ao Paraná. Na cidade de Porto Alegre-RS, a máxima foi de apenas 8,5ºC, uma das menores registradas até hoje.


Em 30 de julho de 1955, a onda de frio atua com fortíssima intensidade no Sul, em parte do Sudeste, na maior parte do Centro-Oeste e ainda em parte da Amazônia. O dia amanhece gelado desde o Rio Grande do Sul até o Amazonas. Em Cuiabá a mínima chega a 4,3ºC e na cidade de Lages-SC; à casa dos -5ºC.


Neste dia, ainda neva nas Serras Gaúcha e Catarinense - já com menor intensidade - e intensamente numa vasta região do Paraná. Neste último estado, a cidade de Palmas recebeu de 30 a 50 cm de neve, quantidade esta pouco frequente.


Neva também nas cidades paranaenses de Clevelândia , Francisco Beltrão, Santo Antônio, União da Vitória, Inácio Martins, Guarapuava, Cascavel e Pato Branco - além de outras - sendo que na última o fenômeno ocorreu com forte intensidade.


Também em Curitiba parece ter ocorrido o fenômeno. Jornais locais da época afirmam que caíram flocos de neve nos bairros do Bacacheri, Boqueirão e na região do Afonso Pena. Tal fato é perfeitamente plausível, já que segundo os mesmos jornais, a temperatura variou entre -2ºC e 3ºC na cidade naquele dia.


Também foi divulgado pela imprensa - inclusive em jornais de grande circulação - a queda de neve em Porto Alegre (RS). Todavia, tal ocorrência não é confirmada pelo INMET.


Outro fato digno de nota refere-se à máxima mais baixa registrada em São Joaquim (SC): apenas -2,0ºC. Só em 2 outras ocasiões oficialmente registradas houve máxima tão baixa - em julho de 2000, com -2,0ºC e em julho de 1993, com -2,4ºC.


Ao mesmo tempo que tudo isso ocorre no Sul, a massa polar avança mais e chega a Manaus (AM). Ao longo do dia o tempo abre em toda a Região Sul.


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Em 31 de julho de 1955, a onda de frio atua no auge de sua força em todo o Centro-Sul e numa boa parte da Amazônia. Na Região Sul, o céu limpo na madrugada favorece a queda da temperatura e a formação de fortes geadas. A friagem também atua com força total na Amazônia. Veja algumas mínimas registradas no Brasil naquele dia:

  • Guarapuava-PR: -8,4ºC

  • São Joaquim-SC: -8,1ºC

  • Ivaí-PR: -6,0ºC

  • Curitiba-PR: -5,0ºC

  • Aquidauana-MS: -0.9ºC

  • Paranaguá-PR: 2,3ºC

  • Laguna-SC: 2,4ºC

  • Florianópolis-SC: 4,0ºC

  • Cruzeiro do Sul-AC: 10,2ºC

  • Manaus-AM: 18,5ºC

Naquela manhã, as geadas devastaram as lavouras do Paraná. Em São Paulo, geou apenas na cidade de Catanduvas, que registrou mínima de -1ºC. No leste do Estado, o céu ficou limpo a partir da tarde e as temperaturas despencaram a noite. No Amazonas, a onda polar ultrapassou a linha do Equador.


Obs: A temperatura máxima em São Joaquim(SC) foi apenas -1,2C.


No dia 01 de agosto de 1955, durante a madrugada, o frio atingiu seu auge e o amanhecer foi frígido no Centro-Sul. Eis algumas mínimas:


  • Bom Jesus-RS: -9,8C. Recorde de frio histórico do estado.

  • Alegrete-RS: -3,0C.

  • Bagé-RS: -2,0C.

  • Iraí-RS: -4,3C.

  • Passo Fundo-RS: -2,5C.

  • Pelotas-RS: -3,4C.

  • Porto Alegre-RS: -1,2C.

  • São Luiz Gonzaga-RS: -1,2C.

  • Santa Maria-RS: -2,0C.

  • São Joaquim-SC: -6,4C.

  • Urussanga-SC: -4,6C.

  • Camboriú-SC: -1,2C.

  • Castro-PR: -7,5C.

  • Rio Negro-PR: -7,2C.

  • Ivaí-PR: -6,1C.

  • Jaguariaíva-PR: -2,7C.

  • Paranaguá-PR: 3,8C.

  • Avaré-SP: 0,3C.

  • São Paulo-SP: 1,5C no Mirante de Santana e 0,7C no horto florestal.

  • Cuiabá-MT: 9,0C.

  • Alto Tapajós-PA: 11,1C.

  • Uaupés-AM: 18,1C.

  • Manaus-AM: 19,0C.

  • Iauaretê-AM: 16,5C. Obs: Iauaretê está localizada em 00 º18′ S.

  • Cruzeiro do Sul-AC: 9,6C.

  • Aquidauana-MS: -2,2C.

  • Corumbá-MS: 3,3C.

Obs: como se pode ver , a onda polar alcançou a linha do Equador.


As geadas foram muito intensas em toda a Região Sul e atingiram também boa parte de São Paulo. Houve geadas nas cidades paulistas de Catanduvas, Limeira , Avaré, Itú, Monte Alegre do Sul , Tatuí e Presidente Prudente. Nesta última a mínima ficou na casa dos -1ºC. Neste dia , a onda de frio começou a enfraquecer , mas ainda manteve as temperaturas baixas / amenas ao longo do dia.


No dia 02 de agosto de 1955, a onda de frio perde força rapidamente, mas o dia foi marcado por frio intenso pela manhã, principalmente em São Paulo. Mínimas:


  • Camboriú-SC: -1,2ºC

  • São Paulo-SP: -2,1ºC

  • Santos-SP: 4,3ºC

  • Iguape-SP: 3,2ºC

  • Angra dos Reis-RJ: 9,9ºC

  • Itajubá-MG: 1,2ºC

  • Barcelos-AM: 18,3ºC


No dia 03 de agosto de 1955 foram registradas mínimas negativas no Sul do país, mas no dia 04 o ar frio já se dissipava totalmente. Mesmo assim, Teresópolis registrou 1,2ºC apenas.


FOI O FIM DA SUPER ONDA POLAR DO INVERNO DE 1955

Fonte: Brasil Abaixo de Zero e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET)

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