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LEVANTAMENTO - TEMPO SEVERO (23 e 24 março)

Os modelos meteorológicos sinalizavam entre domingo e segunda-feira (20 e 21/03) uma condição meteorológica adversa de grande perigo para o Cone Sul da América. Condição essa que poderia acarretar em alto volume de chuva, vendaval e problemas com a infraestrutura (desabamento, queda de postes e árvores, entre outros) de alguns municípios.


ENTENDA

Entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça-feira (22 e 23 de Março), uma frente quente se formou entre o Norte da Argentina, Sul do Paraguai e o Oeste dos 3 Estados do Sul. Nas demais áreas, a nebulosidade se fazia presente, tendo algumas pancadas isoladas de chuva sobre o Litoral de Santa Catarina e o Paraná. Durante este primeiro evento, várias estações meteorológicas registraram intensas rajadas de vento e um volume considerável de chuva, porém sem danos significativos, pois as ocorrências foram atendidas rapidamente pelos órgãos de segurança pública. Veja os dados de pelo menos 3 estações para vento forte e chuva volumosa (tendo mais dados na imagem).


23/03/2022 - Dentro de 24 horas

  • Berrotarán/ARG: 117.3 km/h às 20h09

  • Vicuña Mackenna/ARG: 113 km/h às 18h14

  • Despeñaderos/ARG: 110.1 km/h às 20h39


  • Puerto Iguazú/PY: 264.9 mm entre 00h04 e 22h19

  • Foz do Iguaçu/PR: 200.7 mm entre 00h09 e 23h29

  • Santa Rosa del Monday/PY: 123.2 mm entre 00h03 e 22h21


Após o primeiro evento, um sistema convectivo começou a impulsionar a formação de novas células de tempestades entre a Argentina e o Noroeste do Rio Grande do Sul no final da tarde e início da noite de terça-feira (23), dando origem a uma Linha de Instabilidade (LI).


Esse tipo de zona de instabilidade é onde se forma uma série de tempestades. De acordo com a Sigma Meteorologia, "ao longo da Linha de Instabilidade (LI), algumas tempestades com segmentos de arco denominadas de Bow Echos na literatura norte-americana, se formaram e como de costume em estruturas com essas características, provocaram fortes rajadas de vento forte a severas", ao longo de vários municípios do centro-norte do RS, além de outros pontos da região, já que houve vários bow echos (e não apenas um) sobre a região Sul do Brasil.




Este segundo evento provocou uma série de danos. Em uma análise por cima do evento geral, pontualmente os eventos podem ter sido ainda mais fortes que 132 km/h, conforme registrado em Concórdia, no Meio Oeste de Santa Catarina, haja vista que houve muitos estragos com danos estruturais graves em casas, galpões e outras construções, além da queda de postes e de grandes árvores, não se descartando evento tornádico.


Essa Linha de Instabilidade começou a avançar para nordeste/leste durante a madrugada, pegando de forma desprevenida muitas pessoas que descansavam para trabalhar durante o dia. Durante os avisos publicados, a gente sempre focou nos cuidados com a ventania prevista, sendo o fator crítico deste evento.


De acordo com dados publicados diariamente pela CELESC, em Santa Catarina tivemos 48 mil unidades consumidoras sem energia elétrica no decorrer da tarde e noite de ontem (24). Neste momento, apenas os municípios de Ouro, Vargem, São José do Cerrito, São Joaquim e Bom Jardim da Serra estão com problemas no fornecimento, totalizando 1644 unidades consumidoras.


Abaixo você tem mais 3 estações meteorológicas com registros do volume de chuva e as rajadas de vento:


24/03/2022 - Dentro de 24 horas:

  • Concórdia/SC: 132 km às 05h26

  • Campos Novos/SC: 108 km/h às 07h00

  • São Joaquim/SC: 83.7 km às 07h45


  • San Pedro/ARG: 210.3 mm entre 04h25 e 14h45

  • Santa Rosa/RS: 166.6 mm entre 00h49 e 11h29

  • Iporã do Oeste/SC: 154.9 km/h entre 01h59 e 13h14


CONCLUSÃO

Eventos de tempo severo sempre vão ocorrer, nós não podemos fugir disso. Tempestades não são incomuns no Sul do Brasil, e a frequência desses tipos de eventos só tendem a aumentar cada vez mais e mais. E apesar disso, os investimentos ainda são PEQUENOS na prevenção e no monitoramento meteorológico. Em Pelotas, por exemplo, em setembro de 2018, uma tempestade severa, gerou ventos superiores aos 120/130 km/h, causando graves danos em estruturas e deixando milhares sem o fornecimento de energia elétrica.


Para concluir nossa visão em cima dos eventos de tempo severo, abaixo temos uma climatologia de tornados registrados em Santa Catarina entre 1979 e 2009. Houve um aumento gradativo no decorrer dos anos. Hoje, podemos concluir que o número de ocorrências de tornados no Estado é entre 40 a 60 tornados anualmente.


Obs: Esse pico crescente de tornados, em análise preliminar, está relacionado na maior facilidade de aquisição de equipamentos fotográficos, celulares com câmeras fotográficas, além de maior ocupação geográfica o que expande à possibilidade de visualização dos eventos.



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