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  • Bianca Leroiz

ESTUDOS REVELAM ANÃ BRANCA COM ROTAÇÃO A CADA 29,6 SEGUNDOS

Uma equipe de pesquisadores, sendo quatro deles de instituições brasileiras, descobriu a presença de uma estrela anã branca, um tipo de estrela altamente densa, que completa um giro em torno de si a cada 29,6 segundos, estabelecendo um recorde entre todas as anãs brancas conhecidas. A descoberta foi feita por uma equipe composta por Claudia Vilega Rodrigues, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Raimundo Lopes de Oliveira Filho, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Albert Bruch, do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), Alexandre Soares de Oliveira, da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) e Koji Mukai, da Nasa e University of Maryland Baltimore County (UMBC), nos EUA.


Anã branca é o estado final da evolução estelar de 97% das estrelas conhecidas. É o nome dado a um tipo de estrela menor que as estrelas comuns. Elas são extremamente densas, sua massa é comparável com a do Sol, enquanto seu volume é comparável com o da Terra.



Concepção artística de uma anã branca. Crédito: Casey Reed / NASA

Essa descoberta é resultado das observações em Raios-X realizadas pelo telescópio espacial XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA) e pelo telescópio Zeiss, do Observatório do Pico dos Dias (LNA/OPD) localizado no estado de Minas Gerais.


Essa estrela tem como vizinha uma estrela de massa maior, da qual captura parte de sua matéria e juntas formam um sistema binário batizado de CTCV J2056-3014, distante localizado a 850 anos-luz de nós. As duas estrelas se movem uma em torno da outra como no sistema Terra-Lua.


O que chamou a atenção dos pesquisadores foi a variação do brilho do sistema tanto em raios-X quanto na luz visível, que se repete a cada 29,6 segundos. Para se ter uma ideia de quão rápido é o giro dessa estrela, é só pensar no nosso planeta que se move a uma velocidade de 1.600km/h e completa o seu giro diário em 24 horas. Essa estrela dá 3.000 giros durante um dia terrestre, ou seja, ela rotaciona a uma velocidade de 5 milhões km/h.



Concepção artística de um sistema de tipo polar intermediária. Crédito: Rodrigo Cassaro/Observatório Nacional


A estrela possui outras peculiaridades além do seu giro em alta velocidade. Seu campo magnético é mais baixo do que estrelas em sistemas similares, ainda que seja 1 milhão de vezes maior do que o campo magnético da Terra. Isso faz com que ela capture parte da matéria de sua companheira por meio de estruturas que podemos imaginar como tubos magnéticos.


“O estudo de CTCV J2056-3014 tem implicações científicas importantes sobre interação entre matéria e campos magnéticos, que é de grande interesse em Física, e que nesse sistema se dá com matéria caindo sobre uma estrela magnetizada e em rotação elevada. O que foi observado em CTCV J2056-3014 abre horizontes para um melhor entendimento sobre estrutura e evolução estelar, e também sobre a origem de campos magnéticos em estrelas evoluídas”, disse o pesquisador Raimundo Lopes de Oliveira Filho, professor da Universidade Federal de Sergipe e do Observatório Nacional, que liderou o estudo.



Fonte: https://www.on.br/index.php/pt-br/component/content/article.html?id=695

https://arxiv.org/pdf/2007.13932.pdf

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