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  • Bianca Leroiz

Mapa 3D permite navegar pela Nebulosa do Caranguejo

Que tal navegar pela nebulosa do Caranguejo e observa-la de pertinho? Bem, nesta matéria é possível graças a uma equipe de de astrônomos que conseguiu obter dados de altíssima precisão e criou um mapa 3D de um dos mais conhecidos remanescentes de supernova.


A Nebulosa do Caranguejo (também conhecida como Messier 1 ou NGC 1952) é um remanescente de supernova e uma nebulosa de vento de pulsar na constelação do Touro a uma distância de 6.523 anos-luz da Terra. Até hoje astrônomos estudam o remanescente dessa explosão, mas ainda há mistérios sobre o tipo de estrela que explodiu e quais foram os processos que ocorreram.



Nebulosa do Caranguejo observada pelas lentes do telescópio Hubble (NASA/ESA/Hubble/J. Hester/A. Loll)


Para criar o mapa 3D da nebulosa a equipe usou um espectrômetro óptico chamado SITELLE, do Telescópio Canadá-Havaí-França (CFHT), localizado no Havaí. O equipamento combina um detector de imagem 2D com um interferômetro que varre a diferença de caminho óptico enquanto o detector de 2D registra as imagens de todo o campo de visão do instrumento de uma só vez. Após um processamento para corrigir qualquer distorção, a imagem espectral 3D é gerada.


O modelo conta com com 406.472 pontos individuais, cada um dos quais sendo um local onde a emissão foi detectada em espectros pelo SITELLE. A velocidade de cada elemento também foi traduzida para uma posição espacial no mapa 3D e a trilha sonora também foi gerada através dos dados coletados, através de um processo de sonificação. O resultado é incrível e você pode conferir no vídeo abaixo:




Com este trabalho a equipe notou algo pra lá de curioso: a Nebulosa da caranguejo, como outras duas usadas para fins de comparação com este resultado, tinha material ejetado arranjado em anéis de grande escala. Então esse cenário sugere uma evolução envolvendo plumas radioativas que se expandem a partir de um núcleo de ferro colapsado. O co-autor Dan Milisavljevic, professor assistente da Purdue University e especialista em supernovas, conclui que a fascinante morfologia do Caranguejo parece ir contra a explicação mais popular da explosão original.


"O Caranguejo é frequentemente entendido como sendo o resultado de uma supernova de captura de elétrons desencadeada pelo colapso de um núcleo de oxigênio-neônio-magnésio, mas a estrutura de favo de mel observada pode não ser consistente com este cenário", disse Milisavljevic.


Os resultados do estudo foram publicados no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e os astrônomos poderão reavaliar as hipóteses sobre a supernova e seu remanescente.


Milisavljevic acrescenta: "É vital que entendamos os processos fundamentais das supernovas que tornam a vida possível. SITELLE terá um papel novo e estimulante nesse entendimento."


Fonte: Phys.org, Canaltech

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