Buscar

EXISTE DIFERENÇA ENTRE FURACÃO E CICLONE?

Atualizado: Jan 23

Aqui no Brasil não é comum o termo “Furacão”, e em conhecimentos gerais diz-se que não ocorrem furacões no Brasil, este é um pensamento predominante entre as pessoas. Entretanto estamos familiarizados com o termo “Ciclone”, principalmente os moradores do Sul e Sudeste. Mas já pararam para pensar, qual a diferença?


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Bom, para começar, Furacões são Ciclones. Ciclone é um termo genérico para todo sistema que possui um centro de baixa pressão em diferentes camadas da atmosfera. Este centro faz com que os ventos ao redor se dirijam para o seu meio onde o ar, por fim, sobe para as camadas mais altas. Mas então todo ciclone que ocorre, posso dizer que é Furacão?


A resposta é não. Isso porque como mencionado, Ciclone é um termo genérico, então existem classificações de ciclones. O que conhecemos como Furacões, são Ciclones Tropicais. Mas seria errado chamar todo Ciclone Tropical de Furacão, pois sua denominação varia conforme a localização no planeta e existem categorias de Ciclones Tropicais baseado nas forças do vento.


São chamados de Furacões, os Ciclones Tropicais que ocorrem no Leste do Pacífico e no Atlântico. No leste asiático, isto é, no Oeste do Pacífico, estes sistemas são chamados de Tufões. Na Oceania e no Oceano Índico, estes fenômenos são chamados de Ciclones. Em todos estes casos, os ventos devem estar acima de 118 km/h.


Dentre a categoria Ciclone Tropical, temos a Escala de Beaufort, que varia ao redor do Globo, mas aqui no Atlântico, ela classifica a intensidades dos ventos em:


Abaixo de 63 km/h – Depressão Tropical.

Entre 63 e 118 km/h – Tempestade Tropical.

Acima de 118 km/h – Furacão.


Existem também os chamados Ciclones Subtropicais e Ciclones Extratropicais. Ciclones Subtropicais possuem muita semelhança com Ciclones Tropicais. A diferença de ambos com os Ciclones Extratropicais, são a estrutura de temperatura e de pressão no núcleo dos sistemas. De forma bem reduzida, Ciclones Subtropicais e Tropicais possuem um núcleo mais quente na superfície que o ambiente ao redor, e os núcleos de baixa pressão estão concentradas em um mesmo ponto em todos os níveis da atmosfera. Favorecem assim o desenvolvimento de tempestades mais severas e ventos mais fortes. Não estão associadas a frentes frias. Enquanto os Ciclones Extratropicais possuem um núcleo mais frio que o ambiente ao redor, os centros de baixa pressão nas diferentes camadas ficam inclinadas uma das outras, devido a influencia do cisalhamento que é a diferença dos ventos nas diversas camadas da atmosfera nos níveis médios e altos que estão associadas as frentes frias.


Se a diferença entre Ciclones Extratropicais com os Tropicais e Extratropicais pode ser bem evidentes, a diferença entre Ciclones Subtropicais e Tropicais são bem sutis. O que difere é o ar no centro de baixa pressão nos níveis mais elevados. Enquanto nos Ciclones Subtropicais, nos níveis mais altos, o núcleo possui ar frio, nos Ciclones Tropicais, este ar é quente. Outro fator diferencial entre os 3 sistemas, também é a latitude em que ocorrem.


Nas latitudes mais próximas do Equador, na chamada Zona Tropical, até a latitude 20º do hemisfério norte e sul, ocorrem Ciclones Tropicais, onde a temperatura do ar e do mar são mais quentes. Entre as latitudes 20º a 30º, ocorrem os 3 sistemas. Nas latitudes mais altas, isto é, maiores de 30º, mais distantes do Equador e mais próximas dos polos, ocorrem somente os Ciclones Extratropicais, pois a temperatura do mar e da superfície nestas regiões do globo são mais frias e não conseguem desenvolver os sistemas de núcleo quente.


(Imagem: Reprodução/Clima Tempo)


No Brasil, é comum vermos diversos Ciclones Extratropicais se formando nos litorais das regiões Sul e Sudeste e também vindos dos litorais do Uruguai e Argentina com frentes frias trazendo massas de ar frio do círculo polar antártico. Enquanto Ciclones Subtropicais e Tropicais são mais raros, uma vez que dependem de água quente o suficiente no oceano, umidade suficiente na superfície e um ciclone frio nos níveis médios da atmosfera. Sendo estes uns dos ingredientes básicos para a formação destes fenômenos.


Ciclones recebem nomes após suas velocidades alcançarem 63 km/h. Os nomes foram elaborados pela Marinha, Aeronáutica, Inpe e o INMET. A lista possui 15 nomes, todos indígenas e se repetem após chegar ao fim. Embora a nomeação de ciclones ocorra nos EUA desde 1950, no Brasil isso só passou a acontecer após 2011. Desde lá, 7 ciclones receberam nomes. Foram eles: Arani (2011), Bapo (2015), Cari (2015), Deni (2016), Eçaí (2016), Guará (2017), todos eles Ciclones Subtropicais, e Iba (2019), o último ciclone nomeado. Este atingiu a categoria de Tempestade Tropical, o primeiro com estas características a ser nomeado pelos órgãos no Atlântico Sul, com ventos que chegaram a 101 km/h. Ele se formou no litoral da região Sul e se deslocou em alto-mar até chegar entre os litorais do sul da Bahia, Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro.



Carta sinótica (alto esq.), análise de pressão atmosférica (alto dir.) e imagem de satélite (centro) referentes à Tempestade Tropical “Iba”.( Imagem: Reprodução/Marinha)


Até hoje, somente um Ciclone Tropical atingiu o continente no Atlântico Sul. Foi o Furacão Catarina que ocorreu em 2004. Entre 2004 e 2020, incluindo o Furacão Catarina, 1 Furacão, 1 Tempestade Tropical e 6 Ciclones Subtropicais ocorreram no litoral Brasileiro. Dois Ciclones Subtropicais causaram danos nos litorais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e partes do Rio de Janeiro, foram estes os Ciclones Eçaí (2016) e Cari (2015).

Furacão Catarina.

(Imagem: Reprodução/Internet)


Uma curiosidade sobre o Furacão Catarina foi que ele iniciou como um Ciclone Extratropical, associado a uma frente fria e ao encontrar um oceano com temperatura acima do normal, na época em 27ºC, e o cisalhamento do vento, estando bem fraco, fez com que o sistema estacionasse e organizasse as convecções próximas ao núcleo. O núcleo então parou de ser frio e passou a ser quente, o que é chamado de Transição Tropical, então passou a ser um Ciclone Tropical. Além disso, uma Alta Subtropical, um bloqueio atmosférico, atuava na Argentina e fez com que os ventos em níveis médios se deslocassem de forma fora do comum, de leste para oeste. Isso fez com que o Sistema fosse levado para o continente.


Os meteorologistas e a Defesa Civil chegaram a consultar a NOAA, a Administração Oceãnica e Atmosférica dos Estados Unidos para confirmação. Em poucos dias chegou a costa e ao continente entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul com ventos de 180 km/h causando 11 mortes, 518 feridos e desabrigando 27 mil pessoas e causando um prejuízo de 470 milhões de dólares na época. Este sistema causou marcas profundas na vida dos moradores da Região Sul e também na Meteorologia nacional que passou a evoluir bastante após este evento, além da preocupação com o clima passar a fazer parte do cotidiano das pessoas em toda a região Sul.


Então quando vocês ouvirem falar que existe um ciclone e que este possui uma frente fria relacionado, sabem que se trata de um Ciclone Extratropical. Já quando o Ciclone é Subtropical, se trata de um Ciclone Híbrido: núcleo na superfície quente e frio nos níveis superiores. E os Ciclones Tropicais, seu núcleo é todo quente, o que faz também com que todo o sistema consiga gerar chuvas mais intensas e ventos mais fortes.


Matéria elaborada por Iago Siqueira/Conexão Geoclima.


Fontes: BBC, G1, Terra, Clima Tempo, Observatório do Clima, Marinha Mil, Segredos do Mundo, Brasil Escola, Master/USP

328 visualizações0 comentário