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  • Bianca Leroiz

Dados confirmam a natureza da "Mini-lua": é o que restou de um foguete da década de 1960

O objeto descoberto em Setembro chamado de 2020 SO que acabou se tornando uma “mini-lua” agora já tem sua natureza confirmada. Nosso visitante realmente é o estágio superior do foguete Centauro, utilizado em uma missão em 1966.


O objeto ainda era um mistério e análises da órbita do 2020 SO revelaram que, na verdade, ele se aproximou da Terra algumas vezes ao longo das últimas décadas. Comparando os dados histórico de outras missões da NASA, Paul Chodas, diretor do Center for Near-Earth Object Studies CNEOS, percebeu que o 2020 SO poderia ser o estágio superior do propulsor de um foguete.


O objeto tem órbita circular, algo um tanto incomum para um asteroide e seu tamanho é semelhante ao do estágio superior do antigo Centauro, o veículo utilizado lançamento do lander Surveyor 2 com destino à Lua, em 1966.


Na época, o lançamento aconteceu com sucesso mas um dos propulsores do lander apresentou problemas e acabou se chocando contra a Lua e o Centauro passou por nosso satélite natural e entrou em orbita do Sol como um lixo espacial.


Foguete Atlas Centaur 7 em 13 de agosto de 1965 (Imagem: Reprodução/San Diego Air and Space Museum via AP)



Por meio de observações, uma equipe liderada por Vishnu Reddy, professor e cientista planetário, realizou observações espectroscópicas do 2020 SO, o que não foi nada fácil devido seu brilho fraco. Entretanto, conseguiu resultados importantes: “realizamos observações coloridas com o Large Binocular Telescope, que sugeriram que o 2020 SO não era um asteroide”, explica ele.


Reddy e sua equipe analisaram a composição do 2020 SO usando o IRTF da NASA e compararam os dados do espectro do 2020 SO com o do aço inoxidável 301, o material do qual os foguetes Centauro foram feitos na década de 1960, mas, eles não conseguiram uma combinação perfeita, e perceberam que a discrepância nos dados podia ser causada pela diferença na estrutura do aço em laboratório e no aço exposto às condições do espaço. E então, isso levou a equipe a fazer mais investigações: “sabíamos que se quiséssemos 'combinar maçãs com maçãs', teríamos que tentar coletar os dados espectrais de outro propulsor que estivesse em órbita durante vários anos para ver se combinaria melhor com o espectro do 2020 SO”, diz.


Devido a velocidade que estes objetos se movem, não seria uma tarefa nada fácil. Em dezembro eles conseguiram observar outro propulsor de um Centauro D, lançado em 1971. Com esses novos dados comparados aos do 2020 SO, e a equipe de Reddy percebeu que o espectro de ambos era consistente. Então, concluindo definitivamente o 2020 SO como também um impulsionador de foguetes Centauro.


Em 1º de dezembro deste ano, o objeto ficou próximo da Terra e deve permanecer na esfera de domínio gravitacional do nosso planeta, uma região chamada de “Esfera de Hill”, que se estende por cerca de 1,5 milhão de quilômetros de distância da Terra até que escapa de volta para uma nova órbita ao redor do Sol em março de 2021.


Fonte: NASA

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