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  • Bianca Leroiz

Pela primeira vez cientistas detectam CNO na fusão nuclear do Sol

Uma equipe internacional de cientistas conhecidos como "Colaboração de Borexino" conseguiu detectar diretamente a presença do ciclo carbono-nitrogênio-oxigênio (CNO) na fusão nuclear do Sol.


O ciclo CNO é a fonte de energia dominante nas estrelas mais massivas. Entretanto, ainda não havia sido detectado diretamente em nenhuma estrela. E essa é uma ótima noticia, comprovando que a compreensão teórica dos cientistas sobre os processos de fusão estelares estava correta. O CNO foi previsto pela primeira vez na década de 1930 por Carl von Weizsäcker e Hans Bethe. E agora, 100 cientistas que participaram de um novo estudo publicado na Nature, obtiveram um bom resultado por meio da detecção de neutrinos do Sol.


Para as estrelas converterem hidrogênio em hélio, existem duas reações de fusão: o CNO e a cadeia próton-próton. Embora que a segunda seja mais importante nas estrelas de massa solar, a teoria aponta que o ciclo CNO é a fonte de energia dominante nas estrelas mais massivas. Para os cientistas, entender esses processos é fundamental, isso porque as estrelas obtêm energia fundindo hidrogênio em hélio, mas é difícil detectar CNO em estrelas distantes, e a chance de poder observá-la no Sol é cativante.



O detector Borexino.

(Imagem: Reprodução/Borexino Collaboration)


Neutrinos emitidos como parte desses processos carregam uma assinatura espectral que permite aos cientistas distinguir qual reação nuclear está garantindo a energia no Sol. E para conseguir essa confirmação, eles utilizaram um detector de neutrinos chamado Borexino, localizado na Itália.


Os neutrinos são a única maneira de analisar o núcleo do Sol, já que não podemos enviar uma sonda até lá. Mas, detectar um neutrino não é fácil. Essa partícula quase não interage com a matéria e é capaz de atravessar qualquer objeto no universo. E no Sol são 420 bilhões deles sendo emitidos do seu núcleo e atingindo cada centímetro quadrado da superfície da Terra por segundo, porém sem interação. Os neutrinos são 'aprisionados' usando detectores muito grandes enterrados centenas de metros abaixo da superfície da Terra, região onde não ocorre interferência causada pelo ruído de fundo e raios cósmicos.


Graças ao Borexino, os cientistas detectaram não um neutrino qualquer, mas um que carrega assinaturas do ciclo CNO. E com essa noticia, o Borexino pode continuar a coleta de dados até de 2021.



Fonte: Phys.org, University of Massachusetts Amherst

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