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  • Bianca Leroiz

Grande perda para a ciência: o Observatório de Arecibo será desativado para evitar desastre

Após quase 60 anos um dos maiores radiotelescópio do mundo terá sua antena parabólica desativada. Recentemente, o radiotelescópio teve cabos da estrutura de sustentação arrebentados e pode desabar a qualquer momento. De acordo com a National Science Foudation, a estrutura do radiotelescópio não pode ser reparada com a devida segurança e a única solução é ser realizada uma demolição controlada, para derrubar sem ameaçar vidas ou até mesmo danificar propriedades.



O prato refletor foi danificado na queda do primeiro cabo (Imagem: Reprodução/University of Central Florida)



Localizado no município de Arecibo, em Porto Rico, o radiotelescópio foi construído no início da década de 1960 e entrou para a história dez anos depois, ao ser usado para enviar uma mensagem a civilizações alienígenas, em 1974. Em meados de Agosto, um dos cabos se rompeu e caiu sobre o prato refletor, deixando uma parte da estrutura em pedaços.


Após o incidente, várias equipes trabalharam para avaliar os danos e as possibilidades de um reparo, um processo longo para garantir que não haveria nenhum risco para as equipes envolvidas no conserto. Mas no inicio de Novembro sofreu outro dano deixando o equipamento suspenso ainda mais instável. Os cabos sustentam uma plataforma de 900 toneladas que fica suspensa sobre a parabólica o que permite que os cientistas direcionem o observatório para um trecho específico do céu. Depois de considerar três relatórios, a National Science Foudation, decidiu o desativar por questões de segurança.



(Imagem: Reprodução/NAIC/Arecibo Observatory/NSF)


"Nosso objetivo é encontrar uma maneira de preservar o telescópio sem colocar a segurança de ninguém em risco", disse Sean Jones, da NSF. "No entanto, após receber e revisar as avaliações de engenharia, não encontramos nenhum caminho a seguir que nos permitiria fazê-lo com segurança”, concluiu.


UMA GRANDE PERDA PARA A CIÊNCIA


O Arecibo se tornou tão famoso e importante graças a um cálculo errado. Inicialmente, ele teria sido criado para estudar a ionosfera terrestre, mas um erro em um cálculo fez com que o prato fosse construído 10 vezes maior do que o esperado. Dessa forma, ganhou uma parabólica de 305 metros de diâmetro.



Início da construção do Arecibo.

(Imagem: Reprodução/NAIC/Arecibo Observatory/NSF)


As principais áreas de pesquisa exploradas pelos pesquisadores no Arecibo são as galáxias e os pulsares. Somente um terço do tempo do telescópio é utilizado para estudos ionosféricos; outro terço é dedicado às galáxias e o terço restante está reservado para a astronomia dos pulsares. É um dos principais instrumentos para procurar por novos pulsares, isso porque o tamanho permite buscas mais sensíveis.


Ele ficou ainda mais conhecido graças a uma mensagem enviada ao espaço conhecida como “Mensagem de Arecibo”. Ela foi enviada em 16 de novembro 1974 ao espaço com informações sobre o planeta Terra e a civilização humana, direcionado para o Grande Aglomerado Globular de Hércules, localizado a 25.000 anos-luz de distância e com cerca de 300.000 estrelas. Enviou 1.679 dígitos para o Aglomerado Globular de Hércules, pois esse número é um número semiprimo, ou seja, o produto de apenas dois números primos. No caso, 1.679 é o produto de 23 e 73. A ideia foi escolher um semiprimo para que um eventual receptor pudesse deduzir que os sinais formam uma matriz bidimensional.


O radar planetário do Arecibo ainda era considerado uma raridade, sendo a maior instalação do mundo que poderia lançar um feixe em objetos que estão próximos a Terra ou até mesmo em planetas vizinhos. No caso dos asteroides, esse eco fornece informações para determinar se os objetos apresentam algum risco de colisão com a Terra.



Imagens de radar de um grande asteróide próximo à Terra, chamado Phaethon, obtidas pelo Observatório de Arecibo.

(Crédito da imagem: Observatório de Arecibo / NASA / NSF)



A National Science Foudation agora trabalhará com os cientistas que planejavam usar o radiotelescópio em suas próximas pesquisas para realocar os projetos, direcionando-os a outras instalações.


Segundo os cientistas, perder o radiotelescópio cria um "buraco" que não poderá ser preenchido.




Fonte: Space.com, Canaltech


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