Buscar
  • Bianca Leroiz

Como seria se a Terra compartilhasse a órbita com outro planeta?

Os asteroides troianos compartilham suas órbitas em torno do Sol com os planetas, mas, esses asteroides estão localizados nos pontos de Lagrange (pontos gravitacionalmente estáveis) a 60º dos planetas. Mas quando falamos de um planeta compartilhar a sua órbita com um outro planeta, falamos de uma escala maior. Então, o que poderia acontecer se a Terra compartilhasse sua órbita com outro planeta?


Se dois planetas passam próximos um do outro em órbita, o resultado pode ser uma mudança orbital maciça e a grande preocupação é a gravitação. Esses dois planetas podem colidir, um deles pode ser ejetado ou o outro pode ser lançado contra a estrela-mãe, neste caso, o Sol. Mas há também outra possibilidade: esses dois planetas poderiam compartilhar com sucesso uma única órbita, permanecendo em órbita ao redor de sua estrela-mãe indefinidamente. Pode parecer estranho, mas nosso Sistema Solar oferece uma pista de como isso pode ocorrer.





O primeiro caso, de fato, é algo que pode ter acontecido com a Terra quando o Sistema Solar tinha apenas algumas dezenas de milhões de anos. A hipótese do Grande Impacto diz que a cerca de 4,5 bilhões de anos houve uma colisão da Terra com um planeta do tamanho de Marte, conhecido como Theia, e resultou na formação da Lua.


Vamos usar de exemplo duas luas de Saturno, Epimetheus e Janus. Podemos dizer que as órbitas delas são “estranhas”. Vamos imaginar: dois corpos orbitando traçados quase coincidentes em tempos semelhantes, onde em algum momentos as órbitas se invertem. Se o corpo A está na órbita interna e o corpo B está na órbita externa, em algum anos isso se inverte, e o corpo A passará para a órbita externa; logo, o corpo B, para a interna.


Em palavras pode parecer bastante confuso, então, vamos colocar uma imagem ilustrando essas órbitas. Veja:



A física de como Janus e Epimeteu trocam órbitas pode ser explicada por força gravitacional simples dinâmica de dois objetos de baixa massa em órbita ao redor de um objeto de massa muito maior. As interações gravitacionais mútuas podem existir de uma forma quase estável como esta, criando órbitas que são estáveis ​​por bilhões de anos ou mais.

EMILY LAKDAWALLA, 2006.



Essa órbitas é o que chamamos de órbita ferradura. Isso depende de como você olhar, há uma ilusão, e o movimento se parece ainda mais estranho. As órbitas aparecem assim:




As órbitas em ferradura das luas de Saturno Janus e Epimetheus.

(Crédito da imagem: Sean Raymond)


Mas é claro, isso é apenas uma ilusão. Ela acontece como no gif abaixo. Os dois giram em torno do Sol (Epimetheus e Janus, no caso de Saturno) e assim permanecem estáveis.




Mas as órbitas de Epimetheus e Janus são muito próximas do que a Terra e o asteroide 3753 Cruithne. As órbitas aparecem assim:




No vídeo, notou que as outras luas giram muito rápido? Isso acontece porque as duas luas estão desaceleradas, para enxergamos a movimentação em ferradura e isso também poderia ocorrer, pelo menos em teoria, com dois planetas orbitando o Sol. Epimetheus e Janus se aproximam muito – 15.000 km, ou 20 vezes mais próximo do que a distância média entre a Terra e a Lua.


“Acho que as órbitas em ferradura estão entre as configurações mais interessantes para outras Terras”, disse o astrofísico Sean Raymond ao portal Live Science. “Uma vez que os dois planetas se formaram no mesmo disco em torno da mesma estrela, e provavelmente de coisas semelhantes, estudar sua evolução é semelhante a estudar a vida de gêmeos separados no nascimento”.


Segundo Raymond, se a terra compartilhasse sua órbita com outro planeta, teríamos uma vista linda. Os dois planetas se afastariam e se aproximariam em um determinado intervalo, então veríamos um brilho e um tamanho muito mais inconstante do que vemos na Lua.


Vamos imaginar agora como seriam as órbitas em forma de ferradura com um par de mundos do tamanho da Terra na zona habitável do Sol. Vamos chamar esses mundos de Terra e Tellus - palavra em latim para "Terra".





Na sua aproximação mais próxima possível, Terra e Tellus estariam dentro de cerca de 4% a 5% de uma unidade astronômica, a distância média entre a Terra e o Sol (150 milhões de quilômetros). Nesta distância, eles pareceriam muito grandes um para o outro. Logo depois disso, eles se afastariam lentamente um do outro até que desaparecessem de vista um do outro atrás do sol. Esse ciclo teria duração entre aproximadamente 0,995 UA e 1,005 UA (1 UA é a distância entre a Terra e o Sol). Ou seja, neste caso, o pico das aproximações aconteceria a cada 33 anos.


Os dois planetas orbitando a mesma distância do Sol, significaria que ambos poderia receber quantidades parecidas de luz e composições bem semelhantes.




Com informações de Live Science e Socientifica

205 visualizações
Mais Soluções - Corretora de Seguros
Mais Soluções - Corretora de Seguros

Conexão Geoclima © 2013 – 2020.

Todos os direitos reservados.